sexta-feira, 5 de abril de 2013

Anatta

 
 
 

Anatta (pali) ou anatman (sânscrito) é a doutrina budista da inexistência de um "eu" permanente e imutável.

De acordo com o Budismo, todas as coisas componentes ou condicionadas são impermanentes e estão em constante estado de fluxo. Segue-se daí a idéia de "não-eu" (anatta), que nega a existência de uma essência pessoal imutável e independente - em oposição à doutrina hinduísta de Atman.

Os budistas afirmam que a noção de um "eu" permanente é uma das principais causas das guerras e conflitos na história humana e que, vivendo de acordo com a noção de anatta ou não-eu, podemos ir além de nossos desejos mundanos. Na linguagem cotidiana, fala-se em "alma", "eu" ou "self" nos meios budistas, mas sempre com o entendimento de que nós somos interdependentes com outros, em vez de personalidades independentes imutáveis.


Na morte, corpo e mente se desintegram, mas, se a mente desfeita contém quaisquer resíduos cármicos, causa uma continuidade de consciência que reverbera em uma mente nascente em outro ser (e.g. um feto em desenvolvimento). Portanto, o ensinamento budista é que seres renascidos não são completamente distintos nem completamente iguais a seus antecessores.

Essa noção contrasta com o conceito hinduísta de Atman, que seria o ser que reencarna, representando a mais elevada centelha divina em cada ser humano. O pensamento budista nega essa idéia. Tanto o Budismo quanto o Hinduísmo concluem que há continuidade entre vidas, no entanto suas doutrinas sobre o que continua de uma vida para outra divergem: em uma há um "eu" transcendente (Atman); no outro, há apenas tendências e processos mentais que renascem.

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