sexta-feira, 5 de abril de 2013

Jñana

 

 
O hinduismo prescreve três doutrinas ou caminhos básicos para a liberação espiritual (moksha), de acordo com as características pessoais de cada praticante, pode-se optar por um ou mais destes caminhos, simultânea ou separadamente e a qualquer tempo ou período de vida.
São eles:
 
1. karma, ou o caminho do trabalho com desapego aos resultados ou frutos por ele produzido.
 
2. bhakti, ou o caminho da devoção a um dos múltiplos aspectos do Absoluto (Brahman).
 
3. jñana, ou gnosis, o caminho do conhecimento, descobrindo a espiritualidade através do inquirir racional.
 
O processo de jñana é filosófico e requer muita erudição e maestria em ciências básicas especialmente a nyaya (lógica) e a vyakarana (gramática sânscrita), das demais vedangas, além de noções sobre cosmologias, teologias, astrologias e inúmeras outras disciplinas conforme explicadas por diferentes escolas ou teorias.
 
O processo visa estabelecer o Brahman ou a Verdade Absoluta, a realidade suprema, que está muito acima do conceito dual de um deus da religião, uma entidade que simplesmente pune e recompensa alguém segundo seus atos.
 
Esse processo é conhecido como “neti, neti,” palavras sânscritas que querem dizer “não é isso, não é isso;” partindo-se do pressuposto que o Brahman transcende a tudo aquilo que a mente ou a inteligência possam conceber ou comparar.
 
A base filosófica desta busca é o que se denomina Advaita Vedanta, ou visão não-dual, sustentada principalmente por Shânkara, ou Shankaracarya, sábio hindu que restabeleceu esse processo de indagação filosófica após ter derrotado o budismo e praticamente o eliminado da Índia.
 
A pedra fundamental desta doutrina é encontrada no Sharirakiya-bhasya, ou comentário dos Vedanta-sutras realizado por Shankara.
 
O hinduismo moderno encontra-se extremamente fundamentado nesses ensinamentos de Shankara, que é tido como o pai do hinduismo atual, o seu maior acharya ou mestre dos mestres.


 

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